A delegada responsável pela investigação criticou a exposição do caso nas redes sociais, ressaltando danos à imagem da criança e os riscos de buscar justiça com as próprias mãos.
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O caso envolvendo a influenciadora Laryssa Pereira, de 25 anos, ganhou contornos de debate jurídico e ético após a delegada Juliana Paiva, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca (SP), se manifestar sobre a condução da situação nas redes sociais. A influenciadora, que ganhou projeção nacional após esfaquear seu próprio tio, suspeito de abusar sexualmente de sua filha de 5 anos, tem utilizado suas plataformas para detalhar o desenrolar das investigações para seus mais de 370 mil seguidores.
Para a delegada, a exposição detalhada do caso da criança nas redes sociais é preocupante e pode trazer prejuízos irreversíveis à vítima. Paiva reforçou a importância da Lei Felca, popularmente conhecida como o ECA Digital, que estabelece diretrizes rígidas para a proteção da integridade física e psíquica, além da preservação da imagem de menores em ambientes virtuais.
A exposição da imagem dessa criança, que supostamente sofreu violência sexual, uma exposição realizada nas redes sociais, por sua genitora, causa prejuízos e é de amplo conhecimento que a lei Felca traz princípios protetores da integridade física, psíquica e da imagem de crianças e adolescentes, que são vulneráveis, declarou a delegada.
Além da preocupação com a exposição, a delegada Juliana Paiva contestou declarações da defesa da influenciadora, que sugeriam lentidão por parte da Polícia Civil. Segundo a autoridade policial, que atua na DDM de Franca há quatro anos, todos os casos envolvendo violência contra a mulher ou menores são tratados com celeridade. A delegada também refutou a alegação de que a polícia só teria priorizado o caso após a repercussão gerada pelo ataque da influenciadora ao familiar.
O inquérito policial referente à suspeita de estupro de vulnerável encontra-se em fase final e deve ser concluído nos próximos dias. Paralelamente, uma investigação por lesão corporal foi instaurada para apurar as facadas desferidas por Laryssa no tio, Maikel Wilker Martins, de 41 anos. Até o momento, o suspeito, que negou as acusações em depoimento, não foi indiciado ou denunciado. Sua defesa sustenta que ele possui meios de comprovar que não esteve a sós com a criança na data citada.
Órgãos como a Polícia Civil e o Conselho Tutelar de Franca reforçaram que operam em regime de plantão contínuo e contestaram a versão da mãe de que não teria encontrado suporte das autoridades durante o final de semana. O caso segue sob análise do Ministério Público e do Judiciário, que avaliarão o impacto da exposição virtual na proteção dos direitos da criança.
Fonte: G1