Há dez anos, a estreia de Sol Nascente gerava críticas por questões de escalação e apagamento cultural, tornando-se um ponto de virada para a forma como a emissora conduz suas produções.

Há exatamente uma década, a TV Globo levava ao ar o primeiro capítulo de Sol Nascente, novela das seis que acabou entrando para o histórico da emissora não pelo sucesso, mas pelas intensas críticas recebidas. Exibida entre agosto de 2016 e março de 2017, a trama protagonizada por Giovanna Antonelli e Bruno Gagliasso tornou-se um exemplo emblemático sobre como o público e a crítica passaram a cobrar mais rigor da teledramaturgia brasileira.
O principal ponto de polêmica na época foi a escalação do elenco. A obra pretendia abordar a imigração japonesa e aspectos profundos da cultura oriental, porém, escalou atores sem ascendência asiática para papéis centrais. O caso mais citado foi o de Giovanna Antonelli, que interpretou a protagonista Alice, personagem que deveria ser descendente de japoneses. A situação ganhou contornos ainda mais delicados quando o público soube que a atriz Dani Suzuki, que possui ascendência japonesa, havia sido inicialmente cotada para o papel, mas acabou substituída.
Essa decisão gerou um amplo debate sobre o chamado apagamento cultural e a falta de oportunidades para artistas asiáticos em papéis de destaque na televisão. A percepção de que a escolha foi guiada puramente por razões de força comercial, ignorando a verossimilhança e a representatividade necessária para a história, não foi bem recebida pelo telespectador.
O aprendizado da emissora
Analistas do mercado de televisão apontam que a repercussão negativa de Sol Nascente serviu como uma lição importante para a Globo. A partir daquele momento, ficou claro que a audiência não aceitaria mais passivamente escolhas de elenco que ignorassem a diversidade étnica exigida pelos próprios temas das obras.
Três palavras definem o que a emissora precisou aprender drasticamente com essa experiência: respeito, representatividade e a compreensão de que o público está cada vez mais atento à autenticidade das histórias contadas na tela.
Hoje, dez anos depois, o mercado entende que Sol Nascente marcou o fim de uma era de negligência com a composição de elencos que buscam retratar origens culturais específicas. A evolução na forma como a emissora seleciona seus atores e desenvolve seus roteiros, buscando maior precisão e inclusão, tem em episódios como o daquela trama um lembrete constante de que a autenticidade é um pilar inegociável para o sucesso moderno.
Fonte: Terra Gente