
A atriz dominicana manteve o diagnóstico de câncer em sigilo até o fim da vida e deixou dois filhos, incluindo o adolescente Andrés Alfonso.
A atriz e apresentadora dominicana Elizabeth Ruiz morreu aos 49 anos na última quarta-feira, 16, após enfrentar um tratamento contra o câncer. A notícia foi confirmada pelo cineasta Alfonso Rodríguez, pai de um de seus filhos, por meio das redes sociais. Diferente de muitos casos públicos de doenças graves, Elizabeth optou por manter o diagnóstico completamente reservado, sem tornar a doença conhecida do público.
A trajetória de Elizabeth Ruiz se construiu ao longo de mais de duas décadas no entretenimento da República Dominicana. Ela atuou em cinema, televisão, teatro e rádio, conquistando reconhecimento em diferentes formatos. No entanto, foi no cinema que ela deixou sua marca mais duradoura.
A personagem que a tornou conhecida
Elizabeth ficou amplamente conhecida por interpretar Sobeida na trilogia de comédia Lotomán, dirigida por Archy López. A franquia foi lançada em três filmes: Lotomán (2011), Lotomán 2.0 (2012) e Lotomán 003 (2014). A personagem se tornou tão emblemática que chegou a ser incluída no livro La Sonrisa del Caribe, do jornalista espanhol Fermín Cabanillas Serrano, apresentado durante o Festival de Cine Global Dominicano.
Além da trilogia, Elizabeth participou de outras produções cinematográficas, como Tubérculo Presidente (2016), ao lado de Fernando Carrillo, Julián Gil e Cheddy García. No teatro, integrou o elenco da peça Malas, também ao lado de Cheddy García.
Presença na TV e no rádio
Na televisão, Elizabeth trabalhou na emissora Antena Latina, onde integrou os programas Rincón Paraíso e El Bachatón. Mais tarde, criou o Elizabeth Light, um programa que ela mesma apresentava e produzia. No rádio, foi coapresentadora do programa A Toa con Mamá, veiculado pela Rumba FM.
O adeus emocional de Alfonso Rodríguez
Foi Alfonso Rodríguez quem confirmou a morte de Elizabeth à imprensa internacional. O cineasta, que foi marido de Elizabeth e pai de Andrés Alfonso, compartilhou longas homenagens nas redes sociais, com foco na dor do filho.
"Como um pai pode assumir a dor de um filho para que ele não precise sofrê-la? Como alguém pode dizer: 'Dê isso para mim. Deixe que eu carregue esse peso'? Existem dores que conhecemos muitas vezes na vida, e há outras que chegam apenas uma vez e nos transformam para sempre. Mãe só existe uma. Pai só existe um. Meu filho Andrés enfrenta uma dessas dores incomparáveis: a partida de sua mãe", escreveu Alfonso.
Em outro trecho, o cineasta expressou o desejo de aliviar o sofrimento do filho. "Se eu pudesse arrancar essa dor do seu peito e colocá-la no meu, eu faria isso sem pensar duas vezes. Como não posso, só posso lhe lembrar de uma coisa: você não está sozinho. Você perdeu sua mãe, e esse lugar ninguém jamais poderá ocupar. Mas você tem um pai que te ama", declarou.
Dois filhos, duas histórias
Elizabeth deixou dois filhos. Miranda é fruto do casamento com o empresário equatoriano Francisco Javier Carrillo, dono de uma empresa de call center. Andrés Alfonso é filho do relacionamento com o cineasta Alfonso Rodríguez. A morte prematura da mãe colocou ambos em um processo de luto, com destaque para a dor do caçula, que perdeu uma referência parental que ninguém poderá substituir.
A carreira de Elizabeth Ruiz, construída em um cenário artístico que ia do cinema às rádios dominicanas, fica agora como um legado de trabalho e reserva pessoal. A escolha de manter a doença longe dos holofotes também reflete uma postura que, em um tempo de exposição constante, revelou mais sobre sua personalidade do que qualquer entrevista poderia ter feito.