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A cantora americana Halsey sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio consolidando uma intensa transição do pop eletrônico para o rock alternativo após superação de graves diagnósticos de saúde.
Incentivar o público a abrir rodas de pogo no meio da plateia virou a marca registrada dos shows de Halsey nos últimos anos. A atitude marca uma ruptura profunda com a imagem de estrela do pop sintético que a consagrou na década passada e consolida sua nova identidade no Palco Mundo do Rock in Rio.
A apresentação programada para a noite deste domingo representa o topo de uma metamorfose artística que levou a cantora norte-americana de 31 anos dos hits das rádios globais para a sonoridade crua e pesada do rock alternativo.
A metamorfose sonora no Palco Mundo
Quem conheceu Ashley Nicolette Frangipane — nome de batismo de Halsey — nos meados dos anos 2010 pode se surpreender com a energia de suas performances atuais. Em vez das coreografias polidas, a artista passou a priorizar arranjos encorpados, guitarras distorcidas e uma interação direta com a massa em formato de *circle pits*.
A escalação no Palco Mundo do Rock in Rio reafirma esse momento da carreira. Sua apresentação no festival traz um repertório reconfigurado para dialogar com a tradição do rock, sem deixar de lado a intensidade emocional que marca suas composições desde a estreia.
Do fenômeno da internet ao topo das paradas
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A trajetória de Halsey começou na internet, com postagens que rapidamente ganharam tração e chamaram a atenção da indústria. O nome artístico adotado pela cantora nasceu como um anagrama de Ashley e também homenageia uma famosa estação de metrô em Nova York.
Em 2015, o lançamento do álbum *Badlands* projetou seu trabalho para o grande público. O disco de estreia misturava alt-pop, música eletrônica e indie, estreando diretamente na segunda posição da parada Billboard 200 impulsionado por canções como *Colors*, *Gasoline* e *Control*.
A ascensão global definitiva veio no ano seguinte com a parceria no megahit *Closer*, gravado com o duo The Chainsmokers. A faixa dominou as rádios de todo o mundo e antecedeu outros sucessos comerciais de massa, como o single *Without Me*.
A virada pesada e a produção industrial
A guinada consciente em direção ao rock ganhou contornos definitivos em 2021, quando Halsey lançou o álbum *If I Can't Have Love, I Want Power*. Para moldar essa nova fase, ela buscou a produção de Trent Reznor e Atticus Ross, integrantes da banda de rock industrial Nine Inch Nails.
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O projeto afastou a cantora da estética pop tradicional e a mergulhou em sonoridades mais densas, experimentais e agressivas. A recepção crítica positiva validou a mudança e deu segurança para que a cantora levasse esse peso para as turnês e grandes festivais.
Luta pessoal e resiliência criativa
A guinada artística de Halsey nos últimos anos também foi atravessada por batalhas complexas na saúde pessoal. Em 2024, a cantora lançou seu quinto trabalho de estúdio, *The Great Impersonator*, concebido durante um período delicado de diagnósticos médicos graves.
Além da endometriose e do lúpus, condições com as quais já convivia, a artista revelou ter sido diagnosticada com a síndrome de Sjögren, síndrome de Ehlers-Danlos, síndrome de ativação mastocitária (MCAS) e a síndrome de taquicardia postural ortostática (POTS).
Mesmo enfrentando múltiplos desafios físicos, Halsey transformou a dor em combustível criativo. Sua presença no festival brasileiro consagra uma trajetória de resistência, provando que sua evolução musical é reflexo direto de sua vivência e busca constante por reinvenção.