
A Justiça Federal de São Paulo negou o pedido sigiloso da Entre Investimentos para comercializar direitos creditórios milionários repassados pelo Banco Master pouco antes da liquidação.
A tentativa de comercializar direitos creditórios milionários repassados pelo Banco Master foi travada pela Justiça Federal de São Paulo. A solicitação partiu da Entre Investimentos, empresa controlada pelo delator Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", que pretendia negociar precatórios para quitar obrigações financeiras acumuladas.
Dívidas acumuladas e urgência financeira
No pedido apresentado sob sigilo, a empresa argumentou que precisava vender dois direitos creditórios a terceiros de forma urgente. A justificativa apresentada englobava o pagamento de dívidas trabalhistas, tributárias, aluguéis e compromissos pendentes com fornecedores e prestadores de serviços.
Segundo os dados anexados à solicitação, as pendências financeiras já vencidas somam mais de R$ 7 milhões. A Entre Investimentos ressaltou que esses débitos podem ultrapassar a marca de R$ 13 milhões caso os ativos permaneçam bloqueados e indisponíveis para negociação.
Bloqueio de bens e decisão judicial

Os ativos da Entre estão indisponíveis desde março de 2026. A medida ocorreu pelo fato de a empresa ser controladora indireta de outras instituições do Grupo Entre que entraram em processo de liquidação extrajudicial. Antes de recorrer ao Judiciário, a empresa já havia tentado a liberação parcial dos bens junto ao Banco Central, que rejeitou o pedido ao avaliar que qualquer movimentação depende dos desdobramentos da liquidação.
Ao analisar a solicitação mais recente, o juiz Maurilio Freitas Maia de Queiroz, da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, negou a autorização para a venda. O magistrado destacou a necessidade de aprofundar as investigações sobre a relação entre a Entre e o Banco Master.
Entre as preocupações apontadas na decisão está o risco de ocultação, confusão e dilapidação do patrimônio do conglomerado. O juiz reforçou que autorizar a venda dos precatórios poderia gerar efeitos irreversíveis caso a indisponibilidade dos bens seja mantida ao final do processo.
Repasse bilionário antes da liquidação
A origem desses precatórios envolve cifras bilionárias negociadas em um curto intervalo de tempo. Entre os dias 7 e 9 de outubro de 2025, a Entre Investimentos firmou contratos para receber R$ 1,44 bilhão em transferências de créditos do Banco Master, instituição pertencente ao empresário Daniel Vorcaro.
As assinaturas dos acordos ocorreram pouco mais de um mês antes de o Banco Master sofrer liquidação pelo Banco Central, decretada em novembro do ano passado. Com a negativa judicial mantida, os ativos seguem inacessíveis para comercialização.