
Intérprete de Mau Mau, João Victor Gonçalves explica como a novela pode ampliar a representação LGBT e provocar reflexões no público.
O ator João Victor Gonçalves, de 23 anos, destacou a importância de mostrar personagens LGBT de forma natural nas novelas. Conhecido pelo papel de Mau Mau em *Quem Ama Cuida*, ele afirmou que essas pessoas também têm o direito de viver histórias de amor e serem acolhidas pelo público.
“As pessoas LGBT estão na nossa vida. Queremos aproximar as histórias do público. Quando esses personagens são amados, é porque essas pessoas também têm esse direito de serem amadas”, declarou o ator.
Para João Victor, a televisão precisa deixar de lado retratos baseados em estereótipos. “Precisamos parar de criar estereótipos e entender que personagens LGBT são como qualquer outro”, reforçou.
Mau Mau provoca identificação em quem assiste
O ator contou que recebe mensagens de espectadores que se reconhecem nas situações vividas por Mau Mau. Segundo ele, muitas pessoas dizem que as cenas despertam lembranças da época da escola e de experiências difíceis do passado.
“As mensagens que mais recebo falam sobre como as cenas do Mau Mau fazem com que elas se lembrem da época da escola, geram gatilhos e as transportam para anos atrás. Essas mensagens têm sido nesse lugar de uma identificação muito bonita”, relatou.
A repercussão do personagem também ganhou um significado especial por ocorrer em um país que registra casos de LGBTfobia. João Victor afirmou que ele próprio foi vítima de um ataque recente, o que aumentou sua percepção sobre a responsabilidade de contar essa história na televisão.
Ator encontra semelhanças com o personagem
Embora sua família tenha lidado de maneira diferente com sua sexualidade, João Victor disse que se conecta com Mau Mau por outras experiências. Ele citou situações que ouviu na escola e referências buscadas na internet, em amizades e em relacionamentos.
O artista explicou que, mesmo sem ter passado exatamente pelos conflitos enfrentados pelo personagem, consegue se sensibilizar com as dores de outras pessoas LGBT.
“Depois de cenas fortes, vem um sentimento e uma emoção muito fortes. Apesar de não passar isso na minha vida, a gente se compadece com o que os outros passam. Fico sentido, a verdade é essa”, afirmou.
Para João Victor, a representação só cumpre seu papel quando ajuda o público a se enxergar na trama e também pode transformar a forma como determinadas vivências são compreendidas.