
Documento do Tribunal de Justiça detalha o uso de presidiários pelo Gradi em 2002 e cita o atual secretário-executivo da pasta na preparação de um roubo.
O coronel da reserva Henguel Ricardo Pereira, atual número dois da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), foi citado em uma decisão do Tribunal de Justiça paulista relacionada a investigações sobre o antigo Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância (Gradi).
O acórdão do TJSP detalha um esquema no qual detentos eram retirados temporariamente do sistema prisional para integrar missões policiais veladas. Em um dos depoimentos anexados ao processo, um dos presidiários atribuiu diretamente ao oficial a ordem para organizar um assalto no município do Guarujá, no litoral de São Paulo.
Transferência de detentos e atuação do Gradi
Segundo o documento judicial, quatro homens condenados que cumpriam pena no Centro de Observação Criminológica (COC) eram levados para atuar junto às equipes do Gradi. Os detentos Marcos Massari, Gilmar Leite Siqueira, Ronny Clay Chaves e Rubens Leôncio podiam permanecer até 30 dias fora do presídio, abrigados em bases operacionais do próprio grupo policial.

Os fatos citados no processo são relativos a episódios ocorridos no ano de 2002. Esse período coincide com a época da Operação Castelinho, realizada em março daquele ano, uma ação da Polícia Militar que resultou na morte de 12 pessoas.
Desdobramentos internacionais e posto no governo
O histórico de operações daquele período gerou desdobramentos para o Estado brasileiro na esfera internacional. Em fevereiro de 2026, órgãos estaduais e federais se reuniram na capital paulista para tratar do cumprimento da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que responsabilizou o país pelas mortes registradas na Operação Castelinho, ação que contou com a participação do oficial.
Em 2026, Henguel Ricardo Pereira assumiu a secretaria-executiva da Segurança Pública paulista, tornando-se o segundo nome na linha de comando da pasta, abaixo do secretário Osvaldo Nico Gonçalves. Considerado nos bastidores como um nome de confiança do governador Tarcísio de Freitas, o coronel também já comandou a Casa Militar e a Defesa Civil do estado.