
Entre memórias do sertão e uma nova fase literária, Bruna Lombardi reflete sobre o papel da escrita em sua trajetória artística e pessoal.
Durante a travessia por Minas Gerais, Goiás e Bahia para dar vida à marcante personagem Diadorim na adaptação de *Grande Sertão: Veredas*, Bruna Lombardi recorreu ao papel para processar tudo o que vivia. Em pedaços avulsos de folha, ela registrava o impacto das paisagens, do universo de Guimarães Rosa e da própria personagem como uma forma de manter o equilíbrio emocional e não enlouquecer com a intensidade da experiência.
Quatro décadas após aquele mergulho no interior do país, essas anotações ganham novo fôlego. O livro *Diário do Grande Sertão* retorna ao mercado em edição ampliada e chega acompanhado de *Mulheres que sentem os espíritos*, romance gestado ao longo de 40 anos a partir de uma promessa antiga de homenagear a força das mulheres de sua família.
Trajetória na literatura antes dos holofotes
Em conversa com o jornalista Matheus Leitão no programa *Que Dia!*, exibido nos canais do Metrópoles, a artista repassou momentos marcantes da carreira e resgatou sua relação antiga com as letras. Embora o público em geral associe sua imagem aos trabalhos na televisão e no cinema, a literatura surgiu antes em sua vida.

Ainda jovem, Bruna publicou seu primeiro livro de poesias com prefácio assinado por Chico Buarque. Nessa mesma época, conviveu com nomes fundamentais da literatura brasileira, como Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Mario Quintana. Ao longo do tempo, construiu uma obra versátil que inclui poemas, romances, crônicas, roteiros e diários.
Reconhecimento acadêmico e faro jornalístico
O reconhecimento desse percurso literário ganhou um capítulo especial este ano, com a eleição de Bruna para a Cadeira nº 15 da Academia Paulista de Letras. A vaga consolida o impacto de sua produção escrita para além da projeção audiovisual.
Além da atração pelas artes plásticas e pelo texto, a curiosidade de Bruna também se estendeu ao jornalismo. Em 1992, durante uma entrevista com o empresário norte-americano Donald Trump, ela fez uma pergunta direta sobre um possível interesse dele na presidência dos Estados Unidos. Na ocasião, o empresário negou a intenção, mas o registro acabou antecipando em décadas um movimento histórico do cenário político internacional.