
Comprovantes de pagamento e mensagens mostram repasses de R$ 570 mil para a empresária Roberta Luchsinger durante a liberação de aval federal para crédito milionário de Goiânia.
A empresária e lobista Roberta Luchsinger recebeu ao menos R$ 570 mil em transferências financeiras durante o processo de negociação de um empréstimo de R$ 710 milhões para a prefeitura de Goiânia. Os repasses ocorreram em datas próximas à concessão da garantia do governo federal para o contrato firmado com o Banco do Brasil, voltado a obras de infraestrutura na capital goiana.
Comprovantes apresentados por Quesede Ayres Henrique, ex-secretário-executivo da Secretaria de Saúde de Goiânia, confirmam a movimentação bancária realizada em 2024. A origem de parte desse dinheiro está ligada ao empresário Eduardo “DP” Barros, citado nas investigações do chamado "orçamento secreto". A empresa de Barros mantinha contratos com o município que somavam mais de R$ 100 milhões durante a gestão do então prefeito Rogério Cruz.
As contas de destino para as transferências foram indicadas diretamente por Roberta por meio de mensagens de texto obtidas pelo portal Metrópoles.
Diálogos e articulação com órgãos federais

Registros de conversas indicam que a lobista manteve contato direto com Rogério Ceron entre julho e agosto de 2024. Na época, Ceron comandava a Secretaria do Tesouro Nacional (STN), órgão responsável pela análise técnica de operações de crédito de Estados e municípios.
Nas trocas de mensagens, Roberta buscava intermediar um encontro presencial entre o então chefe da STN e o ex-prefeito Rogério Cruz para acelerar as conversas sobre o aval financeiro.
Antecipação de publicação e posição dos envolvidos

O aval para a operação de crédito foi concedido oficialmente pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em 30 de agosto de 2024. Mensagens mostram que Roberta soube da publicação no Diário Oficial da União de forma antecipada e cobrou novos pagamentos a Quesede Ayres, efetuados logo em seguida.
A assessoria do Ministério da Fazenda informou que o processo de análise conduzido pela STN e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) segue um rito estritamente técnico e independente, sem interferência de contatos pessoais. A equipe de Fernando Haddad declarou ao Metrópoles que o ministro jamais manteve contato com Roberta Luchsinger nem tratou de assuntos de governo com a empresária.
