
Com três décadas e meia de trajetória na televisão, a intérprete relembra seus papeis mais marcantes e compartilha bastidores inéditos de seus primeiros trabalhos na Globo.
Uma carreira construída desde a adolescência
Aos 52 anos e com 37 de profissão, Flávia Alessandra atravessa um momento de reflexão sobre sua trajetória artística. No ar como a exuberante Fábia em *Quem Ama Cuida*, a atriz aceitou reviver suas personagens mais emblemáticas e traçar um retrato de como cheou até onde está hoje. O caminho, porém, começou muito antes das novelas das oito — foi no concurso do *Domingão do Faustão* que tudo se iniciou.
A estreia que abriu portas
Com apenas 15 anos, Flávia venceu o concurso promovido pelo programa de Fausto Silva e descobriu, ali, uma vocação que já sonhava desde a infância. Seu primeiro papel foi a pequena Taninha, em *Top Model*. Embora de escassa duração, a personagem funcionou como uma porta de entrada definitiva para o mundo artístico. "Foi o começo de tudo", recorda a atriz, que na época conciliava os estudos matutinos na Tijuca com as gravações.

Naquele período, os Estúdios Globo ainda não existiam, e as produções eram realizadas em locações dispersas pela cidade do Rio de Janeiro. Flávia morava na Barra da Tijuca e dependia de uma Kombi para ir do colégio direto às gravações. A principal locação era a Praia da Macumba, praticamente deserta na época. A Globo chegou a construir uma casa ali especificamente para a novela, e a rotina da jovem atriz consistia em sair da escola, almoçar no set e começar a trabalhar.
Curiosidades dos bastidores
As memórias de Flávia sobre seus primeiros anos na TV são repletas de momentos inusitados. Uma das mais marcantes envolve uma cena de briga com a atriz Suzy Rêgo, durante a qual esta jogou um copo de suco misturado com areia na cabeça de Flávia, transformando o cabelo da jovem em uma massa. A atriz confessou que nunca havia feito uma cena de confronto e que se percebia claramente apavorada com a possibilidade de machucar a colega.

Outro episódio curioso ocorreu quando Flávia viajou a Arraial do Cabo para gravações externas. Ao retornar, veio completamente queimada pelo sol, e os diretores ficaram desesperados com a impossibilidade de manter a continuidade das cenas. Foi nesse episódio que ela aprendeu uma de suas primeiras lições sobre a rotina exigida pela televisão.
O presente e o legado
Hoje, a galeria de personagens de Flávia Alessandra é extensa e diversificada. Aos 52 anos de vida e 37 de carreira, a atriz segue em evidência com Fábia, personagem cujo universo de ilusões desmorona ao descobrir que o marido, Ulisses, interpretado por Alexandre Borges, é viciado em jogos e vendeu a parte da joalheria familiar para uma desconhecida. O público acompanha, fascinado, a queda do mundinho cor de rosa da personagem, num desempenho que revela a profundidade da intérprete.

Ao resgatar memórias de sua carreira, Flávia Alessandra demonstra que a estrada percorrida desde aquela Kombi na Tijuca, passando pelas areias da Macumba e pelas surpresas de Arraial do Cabo, construiu não apenas uma atriz, mas uma profissional capaz de transformar cada personagem em uma marca indelével da televisão brasileira.