
A residência da atriz combina arquitetura adaptada às árvores, soluções ecológicas e educação ambiental na rotina dos filhos.
A casa de Dira Paes no Rio de Janeiro não trata a natureza como simples decoração. As árvores já existentes no terreno ajudaram a definir o projeto da residência, e algumas atravessam a sala de estar. O resultado é uma construção em que a vegetação participa da arquitetura, em vez de ser retirada para abrir espaço ao imóvel.
A escolha mais relevante do projeto está justamente nessa inversão. Em vez de adaptar o terreno à casa, Dira Paes e o marido, o diretor de fotografia Pablo Baião, planejaram a residência ao redor das árvores. Durante uma participação no programa *É de Casa*, exibida em 2021, a atriz explicou que a estrutura foi “tirada do chão” para manter as raízes livres.
Essa decisão dá um sentido mais concreto à ideia de sustentabilidade. Não se trata apenas de instalar equipamentos econômicos depois que a casa está pronta. A própria construção foi pensada para evitar o conflito entre a obra e a vegetação existente. A sala com árvores integradas, portanto, é consequência de uma escolha estrutural, não apenas um recurso visual.
Uma rotina sustentável, e não só uma casa diferente

A residência também reúne soluções voltadas ao uso responsável de recursos. Dira já contou que o imóvel tem captação de água da chuva, energia solar, compostagem, coleta seletiva e uma horta urbana.
O sistema de aquecimento por energia solar aparece entre as iniciativas da casa. Folhas e pequenos galhos também são triturados para virar adubo usado na horta orgânica. Com isso, parte do material descartado no próprio terreno retorna ao ciclo de cultivo.
O conjunto é mais significativo do que qualquer item isolado. Uma árvore dentro da sala pode chamar atenção, mas a sustentabilidade do imóvel está na combinação entre arquitetura, reaproveitamento, produção de alimentos e redução de desperdícios. É essa continuidade que impede o projeto de parecer apenas uma solução estética para uma casa de alto padrão.

O aspecto mais consistente é a educação dos filhos
Dira Paes também relacionou a casa à formação de Inácio e Martim. A atriz afirmou que ensina jardinagem às crianças, apresenta os nomes das árvores e procura mostrar que elas são “coabitantes” da família.
Esse detalhe amplia a importância do projeto. A sustentabilidade não fica restrita à manutenção do imóvel nem depende somente de tecnologia. Ela aparece como prática doméstica e aprendizado cotidiano: conhecer as árvores, cuidar da horta, separar resíduos e entender o destino dos alimentos.

Há, naturalmente, um limite na leitura desse exemplo. Uma casa planejada com recursos como energia solar, captação de chuva e área para horta não representa a realidade da maioria das famílias. Ainda assim, o projeto de Dira Paes oferece uma referência concreta: preservar a vegetação, reduzir desperdícios e ensinar hábitos ambientais são decisões que podem ser pensadas em conjunto, mesmo quando a estrutura disponível é diferente.
O mérito da residência está menos no impacto visual das árvores dentro da sala e mais na coerência entre a construção e o modo de vida descrito pela atriz. A casa transforma a natureza em parte do cotidiano familiar — não como cenário, mas como elemento que orienta o espaço, os cuidados e a educação das crianças.