
Gravada por Netinho em 1996, “Milla” ajudou a transformar o axé em fenômeno nacional e marcou a música brasileira.
A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, recoloca “Milla” no centro da história do axé. Confirmado em Salvador após o agravamento de um linfoma, o falecimento do artista também revive a trajetória da música que se tornou sua marca mais conhecida.
Gravada em 1996 para o álbum *Netinho Ao Vivo!*, “Milla” deixou de ser apenas um sucesso baiano. A faixa alcançou rádios de diferentes regiões do Brasil e ajudou a levar o som dos trios elétricos para além do circuito carnavalesco de Salvador.
A mistura que ampliou o alcance do axé
Composta por Manno Góes, a canção combinava a batida do samba-reggae com melodias pop e um refrão fácil de memorizar. Essa mistura aproximou o axé de públicos que ainda não tinham contato direto com a música dos blocos e das micaretas.
A produção também incorporava teclados modernos e se afastava da percussão mais crua dos blocos afro. O resultado facilitou a execução da faixa em emissoras de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, além de abrir espaço para artistas baianos em outras regiões do país.
“ Milla” chegou ao topo das paradas de rádio em 1996. A música passou a representar uma nova fase do axé, mais conectada ao mercado pop e à televisão aberta, sem abandonar a energia das apresentações de rua.
O sucesso de Netinho e o fenômeno das micaretas
O álbum *Netinho Ao Vivo!* ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. O desempenho fez com que a música permanecesse por anos na programação das rádios e ajudou a consolidar Netinho como um dos principais intérpretes do gênero naquela década.
A força de “Milla” também acompanhou a expansão das micaretas, que deixaram de ser eventos ligados apenas à Bahia e se transformaram em um fenômeno cultural de alcance nacional. A música baiana passou a ocupar festivais, programas de televisão e grandes circuitos de shows.
Por isso, “Milla” se tornou um marco absoluto do axé nos anos 1990: a faixa traduziu a sonoridade dos trios elétricos para uma linguagem pop, alcançou públicos distantes de Salvador e ajudou a transformar o gênero em um dos maiores fenômenos musicais do Brasil naquele período.