
Após sete anos longe das novelas, atriz concilia personagem de destaque na televisão com participação em longa mexicano estrelado por Ricky Martin.
O retorno de Débora Nascimento às novelas não acontece de forma tímida. Depois de sete anos afastada desse formato, a atriz assume Delfina em *Lá Na Minha Terra* e, ao mesmo tempo, apresenta ao público seu trabalho em um filme mexicano ao lado de Ricky Martin.
A própria Débora resumiu a escolha pela novela como algo já desejado. “Eu não tive dúvida em aceitar, porque eu já estava namorando esse retorno a fazer novelas”, afirmou. A declaração ajuda a entender que a volta não foi apenas uma oportunidade pontual: veio acompanhada de interesse por uma linguagem que fazia parte de sua trajetória e que ela não praticava desde *Verão 90*, de 2019, quando interpretou Gigi.
Delfina representa uma volta com espaço para personalidade
Na trama ambientada entre a fictícia Lavra Seca, no Nordeste, e São Paulo, Débora interpreta uma mulher solar, livre e segura das próprias escolhas. Delfina é descrita como uma personagem que valoriza a liberdade e não pede autorização para ser quem é.
Esse perfil dá à atriz um retorno com identidade clara. Em vez de reaparecer apenas para ocupar uma função secundária, ela volta com uma personagem apresentada como divertida e inteira. O material disponível, porém, ainda não permite medir o peso de Delfina no desenvolvimento da novela nem avaliar como a personagem será recebida ao longo da história.
A escolha parece especialmente coerente com a fala de Débora sobre seu retorno. Ela não tratou a personagem apenas como um trabalho depois de anos distante das novelas. Ao dizer que encontrou “um pacote maravilhoso”, associou a volta ao prazer de interpretar e às características específicas de Delfina.
No cinema, o desafio foi contracenar com Ricky Martin
Enquanto grava a novela, Débora também integra o elenco de *Hombre Al Agua*, comédia dramática de elementos surrealistas dirigida por Gael García Bernal. O filme teve sua primeira exibição em 6 de setembro, no Festival de Veneza, e reúne nomes como Esmeralda Pimentel, Natalia Oreiro, Anna Díaz, Manuel Rulfo e Jorge Salinas.
Ricky Martin está entre os integrantes do elenco. Para Débora, o cantor se destacou pelo carisma e pela disposição para ouvir, aprender e participar do processo de cena. “Atuar com ele foi uma delícia”, disse a atriz, ao comentar a experiência.
A avaliação de Débora ganha um contraponto na declaração de Gael García Bernal ao *Deadline*. O diretor afirmou que Ricky Martin demonstrou entusiasmo desde a chegada ao set e se envolveu diretamente com o projeto, que também tem roteiro e direção assinados por Gael.
O ponto mais relevante dessa participação não é apenas a presença de um astro da música no elenco. É o contraste entre os dois trabalhos de Débora: na televisão, ela retoma uma linguagem conhecida com uma personagem de forte personalidade; no cinema mexicano, participa de uma produção internacional e divide cenas com um artista que também transita entre áreas diferentes.
Uma fase de escolhas paralelas, não de substituição
A trajetória apresentada até aqui sugere que Débora não está escolhendo entre novela e cinema. Ela está retomando a televisão sem abandonar experiências fora do Brasil. Essa combinação amplia o alcance do momento profissional, mas ainda não autoriza conclusões maiores sobre uma mudança definitiva de carreira.
*Hombre Al Agua* já está em exibição nos cinemas mexicanos e tem previsão de chegada ao Brasil, além de circulação nos circuitos europeu e norte-americano. Esses lançamentos podem aproximar o trabalho da atriz de públicos diferentes, mas o impacto concreto dependerá da distribuição e da recepção do longa em cada mercado.
Por enquanto, o fato mais sólido é outro: Débora Nascimento voltou às novelas por decisão própria e encontrou, em Delfina, uma personagem que combina com o discurso de liberdade que ela apresentou. Paralelamente, o filme com Ricky Martin mostra uma atriz disposta a atuar em produções de formatos e origens distintas.