
Nova novela das 6 aposta no conflito entre raízes, abandono e recomeço para apresentar uma família dividida entre dois mundos.
A novela “Lá na Minha Terra” estreia em 9 de novembro, na faixa das 6 da Globo. Criada e escrita por Mario Teixeira, a produção terá Dira Paes, Daniel de Oliveira e Mateus Solano entre os principais nomes do elenco.
O interesse pela trama não está apenas na troca de título da faixa. A novela parte de uma questão bastante concreta: o que acontece quando alguém precisa deixar suas raízes para tentar reconstruir a vida em outro lugar? A história de Rosenda organiza esse conflito entre o sertão nordestino e São Paulo, dois espaços que aparecem como partes inseparáveis da trajetória dos personagens.
Uma protagonista movida por uma ausência
Rosenda, interpretada por Dira Paes, criou sozinha os cinco filhos depois do desaparecimento de Severino, vivido por Daniel de Oliveira. O sumiço ocorreu há mais de 15 anos, mas a personagem nunca abandonou a esperança de encontrá-lo.
A busca muda de dimensão quando Rosenda descobre que o marido está vivo em São Paulo, usando o nome de Cesário e vivendo cercado de luxo ao lado de Ismália, papel de Camila Morgado. A situação não representa apenas um reencontro amoroso. Ela coloca frente a frente duas versões de uma mesma vida: a família construída no interior e a identidade assumida na cidade.
Esse é o ponto mais forte apresentado pela novela. Em vez de tratar a migração apenas como mudança geográfica, a trama a transforma em um problema de pertencimento, memória e responsabilidade familiar. Rosenda não viaja somente para localizar Severino. Ela também precisa entender o que restou do homem que desapareceu e qual lugar ainda ocupa nessa história.
O sertão e São Paulo como forças opostas
A trama acompanha uma família formada em Lavra Seca, onde Rosenda é uma pequena pecuarista com experiência no trabalho com a terra. Ela transmite aos filhos os conhecimentos necessários para que conquistem independência, reforçando a imagem de uma matriarca ligada à resistência e à continuidade das origens.
Entre os filhos estão Damaso, interpretado por Miguel Rômulo, um vaqueiro habilidoso e de temperamento difícil; Brícia, vivida por Jessica Marques, acolhida por Rosenda ainda criança; Dodô, papel de Vicenthe Delgado, mais reservado; e Águeda, interpretada por Carol Pinheiro, descrita como inteligente, destemida e cheia de personalidade.
A presença desses personagens ajuda a evitar que a novela dependa apenas do romance entre Rosenda e Severino. O conflito familiar também passa pelas diferentes formas como cada filho se relaciona com a terra, com a própria história e com as escolhas dos adultos.
A proposta é promissora porque o contraste entre os cenários não parece funcionar somente como pano de fundo visual. O sertão representa uma vida marcada por laços, trabalho e memória. São Paulo surge associado à transformação de Severino em Cesário e ao afastamento das responsabilidades deixadas para trás. Ainda assim, a novela terá o desafio de mostrar essa oposição sem reduzir nenhum dos espaços a estereótipos simples.
O que a estreia promete entregar
Mario Teixeira afirmou que se inspira na própria vida e nas memórias de infância. Ele cresceu entre o Ceará e Roraima e relatou ter ouvido histórias de pessoas que deixavam a família para tentar a vida em São Paulo. Essa origem declarada dá uma base pessoal ao tema central, mas não garante, sozinha, a força da narrativa.
O resultado dependerá de como a novela desenvolverá as consequências do abandono. A premissa oferece um conflito claro: Rosenda passou mais de 15 anos criando os filhos enquanto Severino construiu outra identidade. O interesse está menos em descobrir se os dois vão se reencontrar e mais em acompanhar o preço desse reencontro para todos os envolvidos.
Com direção artística de Allan Fiterman e direção geral de Pedro Brenelli, “Lá na Minha Terra” é produzida nos Estúdios Globo. A novela tem colaboração de Marcos Lazarini, Letícia Mey, Mariana Torres, Pedro Alvarenga e Raul Damasceno, com produção de Mariana Pinheiro e produção executiva de Lucas Zardo.
A estreia em 9 de novembro coloca no centro uma história popular, mas com uma pergunta mais difícil do que a simples volta para casa: depois de tantos anos, retornar às origens pode significar reconstruir uma família ou apenas revelar tudo o que foi perdido.