
Comunicadora da Globo expõe dor da perda gestacional de Rael e diz que nova gestação não apaga o medo nem a instabilidade emocional.
A apresentadora Tati Machado usou as redes sociais para compartilhar um relato sincero sobre a convivência entre a alegria da nova gravidez e o luto não resolvido pela morte do primeiro filho, Rael. Grávida pela segunda vez, a jornalista da TV Globo disse não se identificar com a expressão "mãe de anjo", frequentemente dirigida a mulheres que perdem bebês. "Eu não queria ser mãe de anjo, não. A verdade é essa", afirmou em vídeo publicado no perfil pessoal.
A perda de Rael ocorreu em maio de 2025, na 33ª semana de gestação, após a constatação da ausência de batimentos cardíacos. Desde então, Tati e o marido, Bruno Monteiro, enfrentam o processo de luto enquanto se preparam para a chegada do segundo filho. A comunicadora explicou que a experiência anterior alterou profundamente a forma como vive a gestação atual, tirando a leveza que costuma ser esperada socialmente. "A gente acaba não curtindo e não vivenciando tanto a gestação, a gravidez. E tá tudo bem", disse, ao descrever a oscilação constante de sentimentos.
O peso do quartinho vazio
Um dos momentos mais delicados do relato foi a descrição do reencontro com o quarto preparado para Rael. Tati revelou que levou seis meses para conseguir entrar no ambiente. "Eu fiz questão de segurar, mas eu não segurei tanto quanto eu gostaria de ter segurado. Existe um cansaço e também a instabilidade", confessou. A fala ilustra como o luto gestacional não segue um cronograma linear e como espaços físicos podem se tornar gatilhos poderosos da dor.

Nova gravidez não apaga o medo
A apresentadora destacou que a chegada de um novo bebê não funciona como uma "substituição" ou cura automática. O medo de reviver a tragédia acompanha cada consulta e cada exame. Ela frisou que a instabilidade emocional faz parte do dia a dia e que não há obrigação de demonstrar felicidade plena o tempo todo. A postura contrasta com a cobrança social por uma maternidade idealizada, mesmo diante de traumas recentes.
Orientação para quem está por perto
Além do desabafo pessoal, Tati direcionou parte da mensagem a amigos e familiares de pessoas que passam por perdas semelhantes. A jornalista reforçou que a escuta empática tem mais valor do que tentativas de consolo baseadas em frases prontas ou rótulos espirituais. Para ela, validar a dor sem tentar "resolvê-la" com palavras é o caminho mais respeitoso.