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Eliana Rocha deixa legado que vai além de Luz Divina

Eliana Rocha em registro de sua carreira como atriz

Conhecida por Pé na Cova, atriz construiu uma trajetória ampla, marcada pelo teatro, pela televisão e pela colaboração editorial.

A morte de Eliana Rocha, aos 82 anos, não representa apenas a despedida da intérprete de Luz Divina, de *Pé na Cova*. O principal aspecto de sua trajetória está justamente no fato de que a personagem mais lembrada pelo público foi apenas uma parte de uma carreira construída em várias frentes.

A atriz morreu na terça-feira (3). Miguel Falabella, com quem trabalhou na série exibida entre 2013 e 2016, comunicou a perda e publicou uma homenagem nas redes sociais. Ele descreveu Eliana como uma profissional talentosa, generosa e consciente, além de agradecer pelos momentos vividos durante a parceria.

A declaração de Falabella ajuda a dimensionar o impacto da morte no ambiente profissional, mas também revela um ponto importante: Eliana não era reconhecida apenas pelo resultado diante das câmeras. A lembrança destacada por ele envolve a convivência e a postura da atriz no trabalho, elementos que raramente aparecem quando uma carreira é reduzida a um único papel.

Uma carreira que não cabe em uma personagem

Nascida em Santos, no litoral de São Paulo, Eliana Rocha tinha formação em Direito e Teatro. Em 1974, participou da criação da Royal Bexiga’s Company, em São Paulo, ao lado de Jandira Martini e Ney Latorraca. A experiência no palco ultrapassou 30 peças e formou a base de uma trajetória que depois alcançaria novelas, séries e projetos editoriais.

Na televisão, esteve em produções como *Meu Bem, Meu Mal*, *Marisol*, *Chiquititas*, *Toma Lá, Dá Cá* e *Negócio da China*. Também participou de *Eu, a Vó e a Boi*, lançada em 2019, seu último trabalho na TV mencionado nas homenagens.

Esse percurso torna limitada qualquer leitura que trate Eliana apenas como uma atriz descoberta pelo humor televisivo. *Pé na Cova* ampliou sua visibilidade para o público, mas veio depois de décadas dedicadas ao teatro e a diferentes funções ligadas à produção cultural.

Eliana Rocha em registro de sua carreira como atriz

A personagem Luz Divina se tornou sua marca mais conhecida por estar inserida em uma série popular e por permitir que a atriz combinasse humor e experiência cênica. Ainda assim, o papel não resume a dimensão de sua contribuição. Ele funciona mais como uma porta de entrada para uma carreira que já estava consolidada.

O trabalho também existia fora do palco

Outro aspecto que diferencia a trajetória de Eliana é sua atuação no mercado editorial. Ela trabalhou com revisão e preparação de textos e preparou o livro *50, eu?*, autobiografia de Zeca Camargo. Também escreveu a biografia do ator Marcos Caruso, publicada em 2007.

Caruso foi um dos nomes que se despediram da atriz. Na mensagem, chamou Eliana de grande amiga e grande atriz, lembrando a arte compartilhada entre os dois. A homenagem reforça uma dimensão menos visível de sua carreira: a capacidade de transitar entre interpretação, escrita e colaboração nos bastidores.

Esse conjunto de atividades impede que sua trajetória seja vista de forma estreita. Eliana não esteve ligada somente à atuação como profissão individual. Ela também ajudou a construir e organizar histórias de outros artistas, aproximando o trabalho de palco do universo editorial.

A melhor forma de compreender seu legado, portanto, é reconhecer essa amplitude. A televisão tornou seu rosto mais conhecido, especialmente com Luz Divina, mas foi o conjunto de experiências no teatro, na dramaturgia, na edição e na escrita que deu consistência à carreira.

A despedida de Miguel Falabella, acompanhada por manifestações de Fabiana Karla, Danielle Winits, Drica Moraes e Diogo Vilela, registra a perda de uma colega de profissão. O dado mais forte, porém, está no caminho que Eliana deixa: uma trajetória que não depende de um único sucesso para justificar sua importância.

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