
A Bellavista Estate reúne produção de vinhos, azeite e pecuária, mostrando como o narrador construiu uma atuação empresarial fora da televisão.
Aos 76 anos, Galvão Bueno deixou de ser apenas o narrador associado às grandes transmissões esportivas. Na Bellavista Estate, em Candiota, no interior do Rio Grande do Sul, ele administra uma operação rural de 108 hectares que combina vinhedos, olivais e criação de gado Hereford.
O ponto mais relevante da propriedade não é apenas a variedade de atividades. É a forma como Galvão transformou a fazenda em um negócio integrado, com produtos voltados ao mercado de alto padrão e uma estrutura pensada para receber familiares e grupos corporativos.
A leitura mais consistente sobre a Bellavista Estate é que o empreendimento representa uma diversificação empresarial organizada, e não somente um refúgio pessoal no campo. A produção reúne pecuária, azeite e vinhos sob uma mesma marca e amplia a presença do comunicador no agronegócio.
Vinhos produzidos com apoio técnico
A entrada de Galvão no setor vitivinícola começou em 2009, quando ele identificou condições favoráveis na região da Campanha Gaúcha. A propriedade fica próxima ao paralelo 31, área considerada adequada ao cultivo de uvas viníferas e climaticamente semelhante a zonas produtoras do Uruguai e da Argentina.

As uvas selecionadas nos vinhedos da Bellavista Estate abastecem a Bueno Wines. A colheita é encaminhada para vinícolas parceiras, onde passa por fermentação em tanques de aço inoxidável e maturação em barris de carvalho francês.
Esse modelo revela uma escolha empresarial importante: Galvão não concentra todas as etapas dentro da fazenda. O cultivo ocorre na propriedade, enquanto parte da elaboração é feita com apoio técnico especializado. A parceria reduz a ideia de que o projeto depende apenas da imagem do narrador e indica uma operação estruturada com profissionais do setor.
O catálogo inclui espumantes e vinhos tintos secos. Os rótulos receberam medalhas em concursos internacionais, resultado que ajuda a posicionar a marca no segmento premium. Ainda assim, as informações disponíveis não permitem medir o tamanho da produção ou sua participação no mercado brasileiro. O reconhecimento em competições é um indicador de qualidade, mas não equivale, por si só, a sucesso comercial amplo.
Azeite e pecuária ampliam o projeto
Os olivais acrescentam outra frente ao empreendimento. A Bellavista Estate produz azeite extravirgem, atividade que complementa a linha de bebidas e reforça a proposta de aproveitar diferentes características do terreno rural.

A fazenda também abriga criação de gado Hereford, raça adaptada ao bioma Pampa e escolhida para a pecuária de corte. O trabalho envolve seleção de animais de linhagem valorizada, aproximando a propriedade de um modelo voltado não apenas à produção, mas também à qualidade genética do rebanho.
Galvão mantém ainda uma criação de gado Angus de elite em uma fazenda no Paraná. Nesse caso, o foco está na seleção de reprodutores e matrizes para a produção de carne nobre. Os animais participam de leilões do setor agropecuário, que chegam a ser transmitidos por plataformas digitais especializadas.
A combinação entre Hereford, Angus, azeite e vinhos mostra que a atuação rural do narrador não depende de um único produto. Essa diversificação pode reduzir a exposição a oscilações específicas de cada atividade, embora também exija gestão técnica, planejamento e investimento em áreas muito diferentes.
Um negócio que também carrega a marca pessoal
A participação de Desirée Soares, mulher de Galvão Bueno, é apontada como parte ativa da administração. Ela colabora no planejamento estratégico e na divulgação da marca em eventos empresariais e feiras agropecuárias.

Essa presença ajuda a explicar por que a Bellavista Estate funciona como mais do que uma propriedade produtiva. A arquitetura foi planejada para aproximar a rotina do campo de experiências familiares e corporativas, unindo produção, recepção e exposição da marca.
O resultado é um empreendimento com forte associação ao nome de Galvão, mas que não se resume ao uso de sua notoriedade. Há uma cadeia de produção, parcerias técnicas, criação genética e comercialização de produtos. O limite da análise está na falta de dados públicos sobre faturamento, volume anual e rentabilidade. Por isso, é mais preciso falar em diversificação consolidada do que afirmar o tamanho econômico exato do negócio.
A Bellavista Estate se tornou um refúgio porque reúne a paisagem e a rotina do campo, mas sua função principal, pelos dados conhecidos, é empresarial. O projeto mostra Galvão Bueno ocupando um espaço de produtor e gestor no agronegócio, com uma marca que conecta vinho, azeite, pecuária e hospitalidade rural.