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Aos 90, Mauricio de Sousa troca ritmo público por vida em família

Mauricio de Sousa em registro relacionado à sua trajetória como criador da Turma da Mônica

Entre o apartamento em São Paulo e o sítio em Caçapava, cartunista mantém participação nos negócios enquanto prioriza descanso e família.

Aos 90 anos, Mauricio de Sousa vive uma mudança de ritmo que vai além da simples redução de compromissos públicos. O criador da Turma da Mônica divide a rotina entre o apartamento em São Paulo e o sítio da família em Caçapava, no interior paulista, onde passa mais tempo ao lado dos filhos e netos.

A leitura mais precisa dessa fase não é a de uma aposentadoria. Mauricio está menos presente em eventos com fãs e nas atividades cotidianas dos estúdios, mas continua acompanhando os projetos ligados ao universo que criou. A diferença está na forma de participação: ele deixou de concentrar a rotina na exposição pública e passou a preservar mais espaço para a vida pessoal.

Um refúgio que representa mudança de prioridade

O sítio em Caçapava ocupa um papel importante nessa nova etapa. É ali que Mauricio encontra momentos de descanso e acompanha os netos, em uma rotina mais reservada do que a que marcou décadas de trabalho e aparições relacionadas à Turma da Mônica.

A escolha de alternar a capital com o interior também revela uma mudança concreta na relação do artista com o próprio tempo. Em São Paulo, ele permanece ligado à empresa e aos projetos profissionais. No sítio, a agenda é associada à convivência familiar. A divisão entre os dois endereços funciona, portanto, como um equilíbrio entre continuidade e desaceleração.

É importante não transformar essa fase em uma narrativa de afastamento completo. As informações disponíveis indicam que Mauricio ainda comparece à empresa e recebe atualizações sobre as iniciativas em andamento. O que mudou foi o grau de presença, não a ligação com a obra e com os negócios.

Mauricio de Sousa em registro relacionado à sua trajetória como criador da Turma da Mônica

A família assumiu mais espaço na condução da empresa

A transição também aparece na estrutura da companhia. Em março de 2025, a antiga Mauricio de Sousa Produções passou a usar a marca MSP Estúdios, em um reposicionamento voltado à expansão em diferentes plataformas de entretenimento.

A diretoria executiva passou a reunir Fábio Junqueira, o neto Marcos Saraiva e os filhos Marina Sousa e Mauro Sousa. Alice Takeda e Mônica Sousa assumiram posições no conselho. Mônica, que inspirou a personagem mais conhecida do pai, permanece ligada à história empresarial construída em torno dos personagens.

Mauro também atua na expansão de projetos de entretenimento ao vivo, como espetáculos e espaços temáticos. Segundo declarações dadas à CNN Brasil, ele e Marina mantêm Mauricio informado sobre as decisões e os novos projetos.

Esse arranjo ajuda a explicar por que a redução da presença pública não significa perda de relevância. A gestão cotidiana foi distribuída entre herdeiros e executivos, mas o criador continua sendo uma referência para os projetos baseados em sua obra. A estrutura permite que a empresa avance sem exigir do cartunista o mesmo ritmo de décadas anteriores.

Mauricio de Sousa em registro relacionado à sua trajetória como criador da Turma da Mônica

O legado continua ativo, mas em outra velocidade

A trajetória de Mauricio começou antes da Turma da Mônica se tornar uma das franquias mais conhecidas do país. Na década de 1950, ele trabalhou como repórter policial no jornal Folha da Tarde. Em 1959, publicou a primeira tirinha com Bidu e Franjinha, início de uma carreira que transformaria seus personagens em uma presença constante na cultura brasileira.

As homenagens pelos 90 anos, comemorados em 27 de outubro de 2025, reforçaram essa dimensão histórica. Entre elas esteve o filme *Mauricio de Sousa: O Filme*, lançado nos cinemas em outubro daquele ano e protagonizado por Mauro Sousa no papel do pai.

A fase atual parece mais bem definida pela continuidade organizada do que por uma ruptura. Mauricio reduziu a exposição e passou a priorizar o convívio com a família, mas não abandonou a criação que sustenta sua trajetória. A imagem do artista no sítio, acompanhando os netos, convive com a do empresário que ainda acompanha os rumos da MSP Estúdios.

O ponto central é que o legado deixou de depender exclusivamente da presença diária de seu criador. A família assumiu funções decisivas, enquanto Mauricio preserva a participação compatível com o momento de vida. Aos 90 anos, essa parece ser uma transição coerente: menos cobrança por produtividade e mais espaço para acompanhar, com distância maior, o universo que ele próprio construiu.

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