
A convivência entre os artistas revela como o fim do casamento não impediu a permanência do respeito e dos vínculos familiares.
O divórcio de Chico Buarque e Marieta Severo não encerrou a parceria familiar construída ao longo de décadas. O abraço trocado pelos dois em 25 de outubro de 2026, durante a comemoração da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, tornou visível uma relação que continuou existindo fora do casamento.
A cena ocorreu durante um encontro com familiares e amigos para acompanhar a apuração do segundo turno das eleições presidenciais. Depois do anúncio do resultado, Chico e Marieta apareceram juntos e celebraram a vitória. O registro não prova, por si só, como é a rotina privada dos dois, mas reforça uma informação sustentada por episódios anteriores: a separação não eliminou a convivência entre eles.
A leitura mais consistente dessa história é que o respeito foi preservado por meio de vínculos concretos, principalmente as três filhas do casal, Sílvia, Helena e Luísa, e os netos. Não se trata apenas de uma imagem pública de cordialidade. Em 2013, Marieta contou que Chico, as filhas e os netos costumavam frequentar sua casa aos domingos. A presença recorrente da família oferece um exemplo mais sólido de aproximação do que um encontro isolado.
Um casamento atravessado pela história do país

Chico Buarque e Marieta Severo começaram a relação em 1966. O casamento durou mais de três décadas e foi marcado tanto pelas carreiras dos dois quanto pelos acontecimentos políticos do período. No fim dos anos 1960, o casal enfrentou a censura política e viveu no exílio em Roma, na Itália.
A separação foi noticiada em janeiro de 1997, quando os dois passaram a morar em casas diferentes. O fim do casamento, porém, não apagou a trajetória compartilhada nem desfez a estrutura familiar criada durante a união. O relacionamento chegou formalmente ao fim em 1999, mas a conexão entre os artistas permaneceu por outros caminhos.
Esse ponto é importante porque impede uma interpretação simplista. O caso não deve ser tratado como uma suposta volta do casal, já que não há informação de reconciliação amorosa. O que aparece nos fatos é outra coisa: a capacidade de transformar uma relação conjugal encerrada em uma convivência familiar respeitosa, sem confundir proximidade com retomada do casamento.
A família como continuidade entre gerações

A história também alcança a nova geração. Helena Buarque teve quatro filhos com o cantor e compositor Carlinhos Brown: Chico, Clara, Cecília e Leila. Clara Buarque, aos 27 anos, atua e canta, além de ter integrado o elenco da novela *Travessia*. Ao mostrar o apartamento no Rio de Janeiro, ela apresentou uma conquista pessoal, mas acabou recolocando em evidência a dimensão familiar da trajetória de seus avós.
A independência profissional e pessoal de Clara não depende apenas do sobrenome. Ainda assim, ela cresce dentro de uma família ligada à música, ao teatro e à televisão brasileira. A convivência entre Chico, Marieta, filhas e netos ajuda a explicar como esse legado passa de uma geração para outra sem se resumir à fama dos avós.
O abraço de outubro de 2026, portanto, tem valor justamente por ser coerente com um histórico anterior. Ele não transforma o divórcio em um detalhe nem sugere que a separação deixou de existir. Mostra, de forma concreta, que o fim de uma relação amorosa pode coexistir com afeto, respeito e participação na vida da família. Para Chico Buarque e Marieta Severo, essa parece ser a marca mais duradoura da história que construíram juntos.