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Susana Vieira elege A Sucessora como sua melhor novela

Susana Vieira caracterizada como Marina Steen na novela A Sucessora

Em depoimento revelador, a veterana explica por que a ingênua Marina Steen marcou sua trajetória profissional mais do que tipos expansivos como Maria do Carmo.

Ao revisar mais de cinco décadas de trajetória televisiva, a memória coletiva tende a associar Susana Vieira a figuras arrebatadoras, falantes e territorialistas, como a Branca Letícia de *Por Amor* ou a inesquecível Maria do Carmo de *Senhora do Destino*. No entanto, a autoavaliação da artista aponta para uma direção técnica bastante diferente. Ao destacar *A Sucessora*, trama de época exibida em 1978, como a novela favorita e o ponto mais alto de sua carreira, a atriz expõe um critério que privilegia a superação artística sobre o sucesso de massa.

O folhetim escrito por Manoel Carlos, ambientado nos anos 1920, exigiu de Susana uma ruptura expressiva. Naquele período, ela vinha de desempenhos marcados pela determinação e audácia, vide a babá Nice na versão original de *Anjo Mau* e a Cláudia de *Duas Vidas*. Viver a jovem Marina Steen impôs o desafio oposto: dar peso dramático a uma mulher ingênua, tradicional e submetida a constantes pressões psicológicas após se casar com o viúvo Roberto, vivido por Rubens de Falco.

O desafio técnico contra o molde habitual

A preferência declarada por *A Sucessora* ganha sentido quando observada sob a ótica do ofício. O drama de Marina dependia da contenção, cercada pelo fantasma simbólico da primeira esposa do marido e pelo assédio velado da governanta Juliana, interpretada por Nathalia Timberg. Susana descreve o texto de Manoel Carlos como uma experiência rigorosa, que demandava noites inteiras de estudo diante de diálogos complexos.

Essa exigência de precisão verbal e moderação de gestos representou um contraste radical com a espontaneidade quase operística que consagrou a atriz nos anos posteriores. Quando a artista define a obra como sua grande escola, fica evidente que o valor atribuído ao projeto está ligado ao salto interpretativo que ela precisou dar para fugir da própria zona de conforto.

A distância entre a aclamação e o valor íntimo

A escolha de Susana Vieira estabelece uma distinção honesta entre popularidade e realização interna. O público costuma reverenciar o carisma de personagens dominadoras, mas o ator frequentemente guarda maior apreço pelas criações que exigiram desconstrução absoluta de seus traços mais naturais.

Ao afirmar que este é o trabalho que deseja revisitar no futuro, Susana desmonta a expectativa óbvia construída em torno de seus sucessos mais barulhentos. Sua análise resgata a relevância das narrativas de época intimistas e reforça que a solidez de sua presença cênica foi forjada na disciplina dramática, antes de se transformar na persona exuberante que marcou a teledramaturgia nacional.

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