
Apresentação em São Paulo reuniu família, parceiros musicais e releituras que conectaram a obra do cantor a uma nova geração.
A última apresentação de Benito Di Paula teve um peso que ultrapassou a despedida dos palcos. Em 31 de julho de 2026, na Casa Natura Musical, em São Paulo, o cantor dividiu a cena com o filho, Rodrigo Vellozo, e recebeu Zeca Baleiro como convidado especial.
O show fazia parte da turnê Benito 85, criada para celebrar a trajetória do artista, que completaria 85 anos em novembro. A apresentação também marcou o lançamento do álbum *Benito Di Paula – Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça*, reunião de releituras do repertório do músico.
A escolha do palco final é significativa porque uniu três dimensões da carreira de Benito: a família, a continuidade artística e o diálogo com outros nomes da música brasileira. Rodrigo Vellozo não apareceu apenas como acompanhante. Ele conduziu o projeto que revisitou as canções do pai e transformou o encontro em uma ponte entre diferentes momentos da MPB.
Um encerramento ligado à continuidade
A participação de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça ampliou a proposta do espetáculo. O projeto não se limitou a reproduzir sucessos conhecidos de Benito Di Paula. A presença desses músicos indica uma tentativa de apresentar sua obra por meio de novas leituras, sem separar a homenagem da renovação.
Rodrigo Vellozo definiu a noite como “inesquecível e emocionante” em uma publicação após o show. Também agradeceu a Zeca Baleiro, a quem chamou de um artista generoso e ligado à cultura popular.

A participação de Baleiro reforçou justamente esse aspecto do repertório de Benito. O cantor construiu uma trajetória marcada por canções como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, enquanto seu trabalho foi retomado por novos intérpretes ao longo dos anos. A aproximação entre os artistas, portanto, não funciona apenas como um encontro de nomes conhecidos: ela coloca a obra de Benito em contato com outra geração de compositores e intérpretes.
O significado do último palco
Benito Di Paula morreu aos 84 anos, no domingo, 18 de outubro de 2026, enquanto estava internado no Hospital 9 de Julho, em São Paulo, para tratar um câncer de próstata. Ele deixou os filhos Rodrigo e Thiago e duas netas.
Com as informações disponíveis, não é possível afirmar que o show tenha sido planejado como uma despedida definitiva. A turnê celebrava os 85 anos do artista, e a apresentação ocorreu antes da morte durante o tratamento. O sentido de encerramento foi construído depois, pelo próprio curso dos acontecimentos.
Ainda assim, o episódio ganhou uma força particular porque a última imagem pública de Benito nos palcos reúne aquilo que melhor sustenta a permanência de um artista: sua obra e quem pode levá-la adiante. O lançamento do álbum e a presença do filho tornam o momento mais do que um registro final. Eles dão continuidade concreta às canções, sem apagar a importância do intérprete original.
Nascido em Nova Friburgo, Benito Di Paula teve sua obra resgatada em trabalhos como *Um Novo Samba*, lançado originalmente em 1973. Seu último show, ao lado de Rodrigo Vellozo e com a participação de Zeca Baleiro, encerra uma trajetória com um gesto coerente: celebrar o passado sem impedir que ele seja novamente interpretado.